Explicando: F.O.M.O. (Fear of missing out) ou medo de estar por fora
- Luciano Arruda
- 26 de set. de 2020
- 4 min de leitura
Olá tudo bem?
Alguma vez você já viu a sigla F.O.M.O em algum lugar? Ela vem do termo em inglês: “Fear of missing out” que numa tradução livre significa algo como “medo de estar ou ficar por fora”
O FOMO é uma das grandes iscas mentais usadas pelos marketeiros e diversas áreas e pode ser uma grande armadilha para sua mente e bolso.
O comportamento de imitar é natural do ser humano, aprendemos por meio da imitação, seja um gesto ou fala quando crianças, ou qualquer nova habilidade que você a desenvolver na vida adulta, na maioria das vezes precisamos de um modelo de algum comportamento para que possamos desenvolvê-lo em nós mesmos.
Outra característica do ser humano é ser gregário, temos a tendência de nos agrupar, geralmente com intuito de buscar proteção nos outros, mas na vida moderna como uma forma de divisão de tarefas também, pois se uma pessoa sabe cozinhar e a outra lavar os pratos e panelas é melhor que estejam juntas, fica mais simples agregar forças do que tentar aprender todas as atividades possíveis.
O F.O.M.O. surge então dessas duas características citadas acima, primeiro tememos ficar sozinhos e depois temos uma grande tendência a imitar comportamentos seja de forma racional ou não.
Sabe aquele momento em que você está comprando algo que não precisa, ou fazendo algo que não gosta só porque todo mundo tem ou faz? isso é o FOMO, por ter medo de não ser aceito, ou de ficar de fora de algo “importante” você acaba muita vezes fazendo bobeira.
E o F.O.M.O. vem a ser uma doença?
Bem doença não seria o termo adequado, ele é conhecido dos pesquisadores e profissionais da saúde mental mas não é descrito como uma doença, ele é melhor encaixado no ramo dos comportamentos disfuncionais, e infelizmente pode ser grave, explicarei abaixo.
A principal e mais notável consequência na vida das pessoas por conta do FOMO é financeira, mas infelizmente não é a única, vamos pegar alguns exemplos típicos da cultura brasileira e você vai entender bem.
Em nosso país é muito comum associar o sucesso na vida de uma pessoal a um automóvel, então o que acontece? Por medo de não ser reconhecido muitas pessoas se endividam para comprar de um carro ou totalmente desnecessário ou acima de suas condições financeiras, é aí que está a ação do F.O.M.O, cria-se um pensamento como: Se não tiver carro sou perdedor, logo preciso comprar mesmo que tenha uma dívida de 5 anos.
Atolado em dívidas como o financiamento, seguro, multas, IPVA, manutenção do veículo estacionamentos e combustível o sujeito muitas vezes afunda em depressão, em comportamentos destrutivos, torna-se agressivo, perde parte da autoestima conquistada com o “possante”, aliás falarei um pouco do F.O.M.O. e autoestima logo adiante.
Outro comportamento típico tupiniquim é a necessidade de viajar em feriados, especialmente nos finais de ano, não há mal nenhum em fazer isso, mas a verdade é que também não há em não fazer, mas na cabeça de muitas pessoas estar em casa no final do ano significa novamente ser um “perdedor” e muitas vezes você volta a dançar a ciranda das dívidas de uma forma desnecessária, pois teve medo de ser julgado por não viajar.
O comércio e a propaganda alimentam a sensação de F.O.M.O, frases como “oportunidade única”, “não perca”, “estoque limitado”, “todo mundo está usando”... São ganchos mentais para o consumo e alimentam diretamente seu medo de estar de fora, de perder uma oportunidade única, mesmo que no fundo você racionalmente perceba a furada que será.
Além do consumo que causa a ruína financeira o F.O.M.O. pode alimentar outros comportamentos destrutivos, pense no adolescente que começa a usar entorpecentes pois não quer ser mal visto pelo grupo ou mesmo na pessoa que começa a praticar a atividade esportiva da moda sem o devido preparo e talvez sem a menor condição física para tanto e acaba se lesionando gravemente.
E o que desencadeia o F.O.M.O.?
Como disse anteriormente somos seres sociais, queremos estar inseridos em nossos grupos cotidianos e fazemos isso muitas vezes sem a reflexão necessária, além do mais repetimos comportamentos mesmo que não façam sentido mesmo que de forma inconsciente, numa situação hipotética e um tanto bizarra se numa sala estiverem cinco pessoas, e quatro começarem a se coçar, é muito provável que a quinta também o faça, não por estar com coceira, mas por não querer ser o diferente.
Além disso a baixa autoestima também é responsável direta por esse comportamento, quantas vezes você não ouviu que comprar isso ou fazer aquilo iria te deixar bem? Mesmo que no fundo você não goste disso, conheço que odeie futebol mas em momentos de copa do mundo cessa suas atividades para assistir aos jogos.
E como é tratado o F.O.M.O.?
Bem cair nessa armadilha de vez em quando é absolutamente normal, todos iremos ser vítimas várias vezes na vida, o problema é quando isso se torna frequente e não aprendemos nada com a situação, então cada vez mais somos afetados por esse sentimento.
Na clínica devemos verificar como anda a autoestima e autonomia do paciente fazer com que ele entenda que não será o fim do mundo não fazer aquilo que todos fazem, e sim fazer o que gosta independente da opinião alheia pois isso acaba sempre sendo o melhor para você.
Uma boa semana para vocÊ e não tenha medo de estar fora, às vezes os outros estão errados.
Escrito por Luciano Arruda, Psicólogo e fundador do Fluidez Mental seu contato é: consulta@lucianoarrudapsicologo.com.br
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